sábado, 27 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
ESTRELAS CADENTES
Que vida decadente
Devem levar estas pessoas
Que não olham para céu
Que vida decadente
Devem levar estas pessoas
Que nunca caíram
Como caíssem do céu (...)
Que vida decadente
Devem levar estas pessoas
Que não fazem nenhum pedido
Quando caem as estrelas do céu (...)
Poema: Rodrigo Vargas Souza
Devem levar estas pessoas
Que não olham para céu
Que vida decadente
Devem levar estas pessoas
Que nunca caíram
Como caíssem do céu (...)
Que vida decadente
Devem levar estas pessoas
Que não fazem nenhum pedido
Quando caem as estrelas do céu (...)
Poema: Rodrigo Vargas Souza
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
UM MORTO DE PAU DURO
Ontem
foi encontrado
Ao meio da pouca mata que resta na cidade
Um cadáver de pau duro
Bala perdida
Masturbava-se no escuro
O
que resta agora?Ao meio da pouca mata que resta na cidade
Um cadáver de pau duro
Bala perdida
Masturbava-se no escuro
O vento assoviando
Um ruído de silêncio
Em meio à solidão
Um beijo sem batom
Alguns dentes cariados
Espermas encalhados
Há tantos salários
Salários miseráveis
Feitos de exploração
Estes sempre engordam as estatísticas
Maquiadas
Plastificadas
Estatísticas
Estatísticas cheias de estrias
De violência domestica
Fome
Suicídio
E depressão
Já o morto de pau duro
É exceção
Pois não tá fácil
Não
Viver com tesão
Imagina morrer então...
Poema: RVS
DONA FIFI
Dona FIFI!
Como o teu cú é covarde
Nunca vi tanta polícia na cidade
Dona FIFI!
Tu sabes que apesar da censura
Eu sei o teu nome de verdade
Dona FIFI!
E toda esta gente morta
Sob os gramados (e sobre as
arquibancadas)
De teus estádios
Dona FIFI!
Nem mesmo
Esta mídia fascista
Este grito de gol
Esconde o teu roubo (Teu rabo)
Dona FIFI!
Os US$ 4,4 bilhões
Que tu levaste daqui
Para montar este circo
Que ecoa apenas o som
Do couro dos contentes
Não!
Dona FIFI!
Não esconde toda a sujeira
Toda a miséria gerada pelas
empreiteiras de tua gente
Dona FIFI!
Sim! Eu sei
Tu abafa na porrada
Mas como é que fica
Os 7 milhões de desempregados
E este salário miserável
Dona FIFI!
Mas avisa a tua máfia
Fizemos da ação direta e da
solidariedade
O nosso jogo de bola
Dona FIFI!
Cuida!
Uma hora
O gol será do time
Que joga no lado de fora (...)
Poema: RVS
Copa do Mundo 2014
domingo, 20 de abril de 2014
Sou viciado!
Bebo todo o dia
Paulo Leminski
Jack Kerouac misturado com gelo
E um pouco de Bukowski
Sou viciado
Fumo Hilda Hilst
Baudelaire
Cheiro Rimbaud
Gogol e qualquer Kafka
Até já tentei parar
Mas aí no meio do caminho
Conheci a pedra de Drummond
Desta eu não me (lê) livro!
Poema Barato: Rodrigo Vargas Souza
Da serie poesia barata*
(*) Poesia barata é um não manifesto de poesia Neo-pós e muito depois beat-dada-concretista e como já cantava Itamar Assunpção " o trópico tropica"
VOYAGE 1.6 ANO 1986
Voyage 86
Lembro-me de ti cheio de poeira
E sem gasolina
Voyage 86
Enchia-me de cachaça
E você com cinco pila
Voyage 86
Iamos a caminho da fronteira ...
De nosso grande mundo
Feitos de poucos quilômetros
Voyage 86
Corríamos as estradas de chão
Debaixo das estrelas
Atrás de algum entrevero
Às vezes na contramão
Voyage 86
Na cidade grande
Nem eu e nem tu se metia
Íamos aonde dava
Na verdade
Não éramos de nada
Voyage 86
Até nos chamavam de porcaria
Mas éramos só alegria...
Voyage 86
Não sei aonde andas
Mas lembrando como tu corrias (sorrias)
Deve é estar atrás de alguma guria...
Voyage 1.6
Ano 1986
Lembro-me de ti cheio de poeira
E sem gasolina
Voyage 86
Enchia-me de cachaça
E você com cinco pila
Voyage 86
Iamos a caminho da fronteira ...
De nosso grande mundo
Feitos de poucos quilômetros
Voyage 86
Corríamos as estradas de chão
Debaixo das estrelas
Atrás de algum entrevero
Às vezes na contramão
Voyage 86
Na cidade grande
Nem eu e nem tu se metia
Íamos aonde dava
Na verdade
Não éramos de nada
Voyage 86
Até nos chamavam de porcaria
Mas éramos só alegria...
Voyage 86
Não sei aonde andas
Mas lembrando como tu corrias (sorrias)
Deve é estar atrás de alguma guria...
Voyage 1.6
Ano 1986
Poema: Rodrigo Vargas Souza
UM BROEMA CONTRA TODA ESTA CARETICE
Sou a favor da legalização da salvia
E da noz-moscada
Mas contra estes tais de craque$ e pe(co)lés
Sou a favor dos varginais
Do polvo
Sou contra as multianimais
Sou a favor da bilerdade
Contra as pa(r)ti(dárias)...
Contra lulas e substâncias toxicas (como FHC’S)
E Zero Horas ( e Gangrenas Catarrinenses)
Sou contra nídias vaszistas
E todas estas bundas moles
Não feitas de celulite
Sou contra bundões
Párocos e cruzões
Sou Apolicia
Ácrata
Sou contra os filhos das santas
Coloco o prefixo A
Na frente de todo este atraso filho da ...
Poema: Rodrigo Vargas Souza
Sobre o ocorrido na UFSC e o que anda ocorrendo parai (...)
E da noz-moscada
Mas contra estes tais de craque$ e pe(co)lés
Sou a favor dos varginais
Do polvo
Sou contra as multianimais
Sou a favor da bilerdade
Contra as pa(r)ti(dárias)...
Contra lulas e substâncias toxicas (como FHC’S)
E Zero Horas ( e Gangrenas Catarrinenses)
Sou contra nídias vaszistas
E todas estas bundas moles
Não feitas de celulite
Sou contra bundões
Párocos e cruzões
Sou Apolicia
Ácrata
Sou contra os filhos das santas
Coloco o prefixo A
Na frente de todo este atraso filho da ...
Poema: Rodrigo Vargas Souza
Sobre o ocorrido na UFSC e o que anda ocorrendo parai (...)
domingo, 20 de outubro de 2013
Natureza morta - nº 1
Rodrigo Vargas Souza
Título: natureza morta - nº 1
Técnica: tinta acrílica e stencil sobre tela
Florianópolis - 2012
UM ASSALTO NA CASA DE GERTRUDE STEIN
sonhei que assaltei a casa de Gertrude Stein
estava de cara com estes escritores bundões
estava decidido a colocar o pé na porta
e arrombar a história da arte e da literatura
Sai determinado pelas ruas de Paris
era outono
fazia frio
havia merda de cachorro por todos os lados
o cheiro de perfume era insuportável
Os prédios monótonos geminados
cuspiam-me a chuva
a chuva que sempre aparece
quando pensamos em caminhar por Paris
Cheguei à frente da casa de Gertrude Stein
(número 27 da rue de Fleurus)
eu estava molhado e com os sapatos furados
então subi precariamente
resvalando
pela trepadeira que dava até a sacada
da janela da sala de Gertrude Stein
Neste sonho ao menos
dei sorte
a trepadeira era caduca
e como estava no outono
faltavam-lhe as folhas
Mas qual era o meu objetivo mesmo
não era matar ninguém
estava determinado a roubar todas as bebidas
daquela que ditava as regras das artes
e da literatura do início do século XX
Entrei na sala de Gertrude Stein
ela estava bêbada
desmaiada
sobre uma poltrona de costa para a janela
A janela que entrei
Ela era feia como eu pensava
era a única coisa que me passava
pela cabeça naquele momento
Sai caminhando em lento compasso
varava a sala
com toda minha gloria larapia
senti-me um anarquista expropriador
e nesta época “sonhistica”
era contemporâneo de Radowitzky
o que me deixava ainda mais
orgulhoso e otimista
Passo a passo penetrei
no AP de Gertrude Stein
tudo era comum e sem graça
então em meio aos quadros de Picasso
estava o beberão do Ernest (Hemingway)
mas ele tinha cara de Trotsky
cantarolando com um sotaque insuportável
alguma canção que se assemelhava muito
“Ai, Se eu te Pego”
Antes que ele me visse
e lhe deu um soco na cara
ele era bem maior do que eu
mas para um sonhador
tudo é permitido
então, eu o derrubei
apenas com um único soco
caiu, espirrando sangue pelo nariz
e antes que ele desmaiasse
eu em tom profético
Disse:
- escritor de merda!
- este é pelo teu comunismo autoritário
- traidor do movimento operário
Logo depois
rapidamente
esvaziei uma sacola
que estava cheia de manuscritos
e recolhi todas as bebidas da casa
Assim, entrei para história da literatura
como sempre sonhei
fugindo pela porta dos fundos
com todas as bebidas
da casa de Gertrude Stein
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Sabor maça verde
As pessoas têm o mesmo cheiro
As mesmas programações
As mesmas opiniões
Os mesmos desejos
Nesta hora
O sol não lambe mais a superfície da areia recheada de bitucas
Agora na lagoa¹ espumosa de detergente (sabor maça verde)
Banham-se apenas os Ascaris lumbricóides
Carbonatado pelos carros
Ocupados por uma “pessoa”
O poeta sem sombra caminha
Sonhando com algum sorriso
Sem gosto de pasta de dente
Ontem o ultimo pedaço da lua
Curou o vício
Colando o dedo no cú da mesmice
As pessoas sempre esperam algo
Um resultado
Ressonâncias de palavras vazias
Azedando os ouvidos
Não há nada de interessante (¿!)
Apenas barbas paralíticas
Emitindo bafos Zizekianos
Paus ensacados em cuecas box²
Pelos pubianos raspados geometricamente
Músculos e rebolados
Exaltados em whisky com Red Bull
Preenchem a noite (torpe)
Caminhar é melhor...
Poema: RVS
¹ Lagoa da Conceição
² ou boxer
² ou boxer
sábado, 23 de fevereiro de 2013
No ânus da poesia
Um zumbido no cerebelo
Teclando os dedos lisos
Querendo as nuanças de prazer
O mudo do espaço
Orquestrando ouvidos
A luz jorrando do soquete do quarto
Emitindo uma onda anêmica amarela
A cama gemendo de orgasmos
O bordo do vinho escorrendo do ânus da poesia
Uma camisa de Vênus moldada pelo sorriso circense do ventre
Um resíduo de uva fermentado na língua
Um gosto agridoce de batom vermelho nos pelos do corpo
Um samba apoteótico na lingerie alegórica
Um pandeiro em estado plasmático
Transforma a sola do pé em farelo
O sol que faz açúcar na fruta
Batuca a pele de dia
A parte caída aparece com a lua bandida
Poema: Rodrigo Vargas Souza
Imagem: Micro-esculturas - Mr Peliche
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Bonecos de panos...
Trecho do poema Carta aos filhos de Da Vinci sobre foto (Boneco Museu Mamulengo de Olinda)
Poema e Fotografia: Rodrigo Vargas Souza
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
No samba da vida
Como pão e margarina
Com embrulho no estomago
Da cachaça
Da fumaça e da costela do Domingo
Do trabalho
Do pouco salário
Do banco de horas
Do cimento-cola
Da graxa
Dos impostos
Das contas já vencidas
Da escola não paga para o filho
Na TV
BBB
Na goela
O catarro
Para o mago¹
Para o supervisor da empresa
Para quem matem o esquema
O escopo e o poema
Das letras acadêmicas
Dramática gramática
Ego amargo
Sabe-se um pouco
Sabe-se um pouco
Por traz da bola
Do time (magazine)
Do gol
Há sempre um oco...
Um furto
Um morto
Na teta da mãe
Outrora na trova
Chupada pelo pai
Embriagado
Faz-se porra
Faz-se porra
(A)Feto
Há mais um dia
Depois da purpurina
Depois da fantasia abandonada na avenida
Há mais um dia
No samba da vida
No ônibus lotado
No sovaco da euforia
Há mais um dia
Para quem pula a catraca
Imposta na vida
Há mais um dia
Não paga!
Poema: Rodrigo Vargas Souza
Imagem: Isidoro Ferrer
¹ Referente a Paulo Coelho
Poema: Rodrigo Vargas Souza
Imagem: Isidoro Ferrer
¹ Referente a Paulo Coelho
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Lagoa dos Patos Ácrata
Habita em mim
Um gosto de terra
Linha reta
Poesia feita do pampa e agua doce
Lembranças das brincadeiras embaixo das Figueiras
Meus berros ecoando
Em um pôr- do- sol impressionista na planície
Nada jamais foi suprematista
Na infância, no presente
No eu lúdico
Carrego sempre comigo a liberdade e anarquia
Nunca acreditei na maçonaria
Se há herança
O pajador é ácrata
Sem simpatia
Sou crioulo
Ateu
Milongueiro
Sambo no solstício (de verão)
Sou como o negrinho do pastoreio
Mas sem patrão estancieiro
Que nunca acreditou na virgem Maria
E em nenhum padroeiro
Poema: Rodrigo Vargas Souza
Imagem: Barra do Ribeiro de Pedro Weingärtner.
OBS: Existe uma pintura de Pedro Weingärtner que retrata a Lagoa dos Patos, porém não encontrei digitalizada.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Uma taça de vinho
(Os grilos e os vaga-lumes estrujam o crepúsculo...)
Na borda fina de cristal
Um resíduo de batom
Esquia-me
Sou língua
Na tinta vermelha
Do teu beijo
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Um poema para o fim do mundo
AS ESTRELAS CADENTES SUICIDAS
Não consigo escrever a dias
Minha cabeça esta entupida
de merda
Saio para caminhar...
Na próxima Sexta-Feira o mundo acabará
Dizem os jornais idiotas
E os idiotas do Faceboock
Por que tudo é reduzido a nada ¿
Ó terráqueo imbecil
O teu mundo existe mesmo¿
Outro dia
Olhei para as estrelas
Olhei como o Astronauta Maia
Para aquelas que piscam
Para aquelas que formam
Desenhos geométricos
Mitologias galácticas
Olhei para as cadentes suicidas
E estas eram muitas
Que como espermas mergulhavam no óvulo da atmosfera
Deus cristão filho da puta
Terás que limpar a terra de teus dejetos
Chegou à nova era
Sem ilusões
Quimeras
Viva as treze luas!
Aos oprimidos e anarquia!
Enfim estarei nu contigo YIN...
Olhei para as estrelas
Pois sou como elas
Bêbado vagando pela quarta dimensão
De repente livro-me de toda esta merda de matéria
Saco que sou uma estrela
Caminhando pela sarjeta cósmica
Cruzo por uma cadente suicida
Prestes a queimar-se na gravidade da atmosfera
Mas antes ela me diz
Pule um dia
Pois alguém poderá pedir
Um pouco mais de humanidade e alegria...
Poema: Rodrigo V. Souza
Data: 19-12-2012
Imagem: Maia
domingo, 25 de novembro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Sobre o poema Rio com Sapatos
Este poema foi escrito para lembrar o crime ambiental que aconteceu no Rio do Sinos no dia 13/10/2006, mais de 1 milhão de peixes mortos em plena época de desova e reprodução, sendo um dos maiores impactos ambientais acontecidos nos últimos 40 anos no RS.
O Rio dos Sinos é divido geograficamente em 3 percursos: superior, médio e inferior, o poema também foi divido em 3 partes (percursos). O Rio dos Sinos nasce no pequeno município serrano de Caraá, próximo ao litoral gaúcho, passando por Santo Antonio da Patrulha, terra da cachaça e da rapadura e, terminando o primeiro percurso, na cidade de Taquara. Esta região é composta de pequenas cidades caracterizada pela atividade agrícola. Na nascente do rio a água é límpida e cristalina.
No percurso médio, a densidade urbana começa aumentar, passando por grandes cidades de colonização alemã, como Novo Hamburgo e São Leopoldo; cidades nacionalmente conhecidas como pólos calçadistas do estado. Há também um aumento de despejo do esgoto urbano no rio, agravado pelos químicos dos curtumes, nasce assim, o nome do poema, Rio com Sapatos.
No último percurso, o inferior, a densidade e a poluição urbana aumentam agravados também pelo grande índice de miséria de cidades como Sapucaia do Sul, Esteio e Canoas. Nas cidades de Canoas e Nova Santa Rita, o Sinos junta-se com outros rios (Caí, Jacuí e Gravataí) formando o Delta do Jacuí, cujas águas formam o lago Guaíba, e seguem para a Lagoa dos Patos e, por seqüência, para o mar.
O poema foi construído pela influência de dois grandes escritores brasileiros: João Cabral de Melo Neto e João Simões de Lopes Neto. O primeiro escreveu o poema O cão sem Plumas, o poema que fala sobre o Rio Capibaribe, considerado por muitos sua obra-prima. O Segundo criou o maior personagem da literatura gaúcha, Blau Nunes que em diversos contos gauchescos aparece acompanhado do seu cusco. Assim nasceu o trecho: Nas margens deste rio não habitam os cães/ sem plumas de Cabral,/
os vira-latas daqui/descendem do cusco de Blau;/Mas que importância isto tem?/São cachorros com pelo ralo,/corroído de sarna,/secos como seus donos pescadores./São rios diferentes,/ mas assemelham-se na sujeira e na miséria.
Por fim, este poema compõe uma trilogia que ainda não terminei. O Rio com Sapatos é o primeiro poema, o escritor escrevendo sobre o rio. O segundo poema será o rio falando sobre si e o terceiro narrado não se sabe se pelo pescador e/ou pelo Martim- Pescador (ave símbolo do rio), tal como a trilogia “não premeditada” feita por Cabral composta pelos poemas: O cão sem plumas, O rio e Morte e Vida Severina.
Abaixo segue os links para ler:
Rodrigo Vargas Souza -13/10/2011
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Morfossintática do teu beijo
Meu corpo não te satisfaz
Minha poesia banguela
É pouca para tua boca
Quiça troco
No sorriso que te veste
Minha poesia jamais tocará
Teu cheiro
Teu pelo
Teu beijo revestido de batom vermelho
Uma flor brota do árido azulejo sujo do banheiro (ou o espetáculo da sujeira)
Carambolas esmagadas
Orgias intermináveis
Numa paisagem feita de vermes
Uma flor brota do árido azulejo sujo
Nasce no canto
No resto de areia da praia
E do mijo feito no box do banheiro
A citronela suicidou-se na sacada
Bêbada do caco de vidro
Lambuzado de vinho
A lua ignora a chuva
Quer mostrar seus peitos
Seu corpo
Seu cú para o resto do Domingo
Amanhã
No azedo do dia
Na estopeis do ócio
A casa estará limpa
O cheiro terá a estupidez da Qboa
A lua estará vestida
A flor do banheiro estará morta
Mas a poesia continuará encardidaPoesia: Rodrigo Vargas Souza
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Esclerose, gastrite e cirrose
O vento arrebenta os prendedores
Telhas
Trincadas
Tensas
Penso no poema de Rimbaud tatuado em tua coxa
Amanhã os pássaros se masturbarão com tuas roupas intimas
Não será pelo pano
Quem sabe pelo resto pubiano
Pelo cheiro
Eu faço o mesmo
Um filme mudo
Surdo
Zomba de mim
Eu cuspo nele com minha esclerose
Preciso sempre de um pouco
Um hoje
Para acalmar a gastrite e a cirrose
Um silêncio febril
Uma fumaça de carne e osso
Impregnada na lã
Na sala
Uma música sem volume
(4’33” de John Cage)
Um pandeiro
Sem som
Quero ouvir a nudez do vento
No cume
Sou o outrem
Que risca a pele de nanquim
Preenche a goela de vinho
Violenta as paredes pálidas fora de prumo
E guarda o gemido e o gozo
Nos chakras
No corpo úmido (de suor)
Expõe o aço à ferrugem
Como um gosto azedo no beijo
E azeda o mofo e o resto que há de tempo
Perdido
Poema e fotografia:RVS
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